Na vila
Tarde de procissão da Virgem do Rosário.
E, como o sol faiscasse, a vila parecia
Todo o vivo esplendor de uma ourivesaria
De um preço nunca visto, excelso, extraordinário.
Rebimbalhava alegre, o velho campanário;
E o povo, em derredor da imagem de Maria,
Como contente estava, em perene alegria,
Sem se lembrar talvez do triste mundo vário.
Mas, nos olhos leais, puríssimos, da imagem,
Que violetas de dor! E que amarga linguagem
Na sua boca em flor, impregnada de aroma!
Chora a imagem porque, desde os passados anos,
A vila é sempre a mesma; e os corações humanos
Os mesmos, como outrora, há séculos, em Roma!