Na vila

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Tarde de procissão da Virgem do Rosário.

E, como o sol faiscasse, a vila parecia

Todo o vivo esplendor de uma ourivesaria

De um preço nunca visto, excelso, extraordinário.

Rebimbalhava alegre, o velho campanário;

E o povo, em derredor da imagem de Maria,

Como contente estava, em perene alegria,

Sem se lembrar talvez do triste mundo vário.

Mas, nos olhos leais, puríssimos, da imagem,

Que violetas de dor! E que amarga linguagem

Na sua boca em flor, impregnada de aroma!

Chora a imagem porque, desde os passados anos,

A vila é sempre a mesma; e os corações humanos

Os mesmos, como outrora, há séculos, em Roma!