NAMORA-SE DE OUTRA CHAMADA BELETA, OU IZABEL, A QUEM FAZ O SEGUINTE.
Desde que, Isabel, te vi
tal fiqvei, qve desde então
em mim se verá quem não
sabe já parte de si.
Jactou-se o meu alvedrio
de nascer com isenção
contra a dura escravidão
de Amor, e seu Senhorio:
como neste altivo brio
vivo, desde que nasci,
agora que me rendi,
confessa com suma dor,
que é já vassalo de Amor,
Desde que, Isabel, te vi.
E como não sei contar-te,
nem posso formar conceito
qual foi primeiro em meu peito
se o ver-te, se o adorar-te,
e sei, que de ver-te, e amar-te
foi tudo uma ocasião,
por resolver a questão
de quando entrei a querer-te,
digo, que ao tempo de ver-te
Tal fiquei, que desde então.
Tal fiquei, e tão absorto,
Quando vi tua beleza,
que a minha menor fineza
é amar, a quem me tem morto:
e como a viver me exorto
só por lograr a ocasião
de pensar meu coração,
tendo-se visto, quem já
por não penar morrerá,
em mim se verá, quem não.
Em mim se verá cumprida
a mor afeição de sorte,
que porque dure até à morte,
por padecer guarde a vida:
afeição jamais ouvida,
amor não visto até aqui
ficará, Isabel, de ti,
mas como enfim to diria,
quem por nenhum modo, ou via
Sabe já parte de si.