NAMOROU-SE DO BOM AR DE HUMA CRIOLLINHA CHAMADA CIPRIANA, OU SUPUPEMA, E LHE FAZ...

By Gregório de Matos Guerra

Crioula da minha vida,

Supupema da minha alma,

bonita como umas flores,

e alegre como umas páscoas.

Não sei que feitiço é este,

que tens nessa linda cara,

a gracinha, com que ris,

a esperteza, com que falas.

O Garbo, com que te moves,

o donaire, com que andas,

o asseio, com que te vestes,

e o pico, com que te amanhas.

Tem-me tão enfeitiçado,

que a bom partido tomara

curar-me por tuas mãos,

sendo tu, a que me matas.

Mas não te espante o remédio,

porque na víbora se acha

o veneno na cabeça,

de que se faz a triaga.

A tua cara é veneno,

que me traz enfeitiçada

esta alma, que por ti morre,

por ti morre, e nunca acaba.

Não acaba, porque é justo,

que passe as amargas ânsias

de te ver zombar de mim,

que a ser mono não zombaras.

Tão infeliz sou contigo,

que a fim de que te agradara,

fora o Bagre, e fora o Negro,

que tinha as pernas inchadas.

Claro está, que não sou negro,

que a sê-lo tu me buscaras;

nunca meu Pai me fizera

branco de cagucho, e cara.

Mas não deixas de querer-me,

porque sou branco de casta,

que se me tens cativado,

sou teu negro, e teu canalha.