NAS MESMAS CALDAS

By Nicolau Tolentino de Almeida

Não ha nas Caldas

Melancolia,

Dão alegria,

Os ares seus.

Negras tristezas,

Adeus, adeus.

Sara-me a terra,

E não as águas:

Não curam mágoas

Os banhos seus.

Uns lindos olhos.

Que o dia aclaram,

Afugentaram

Os males meus.

Brandos sorrisos.

A furto dados

Fazem dourados

Os dias meus.

Se entra nos banho

Marília bela,

Entra com ela

O cego deus.

Ali tempera

Nas águas puras

As pontas duras

Dos fenos seus.

Enxuga as tranças

Da ninfa loura,

E n’elas doura

Os farpões seus.

Caldas ditosas,

Teu nome cresça,

Alça a cabeça

Até os céus.

O pobre Anfriso,

Que estas calçadas

Deixou regadas

Dos olhos seus,

Hoje em triunfo

De seus pesares

Levanta altares

De Gnido ao deus.

Negras tristezas,

Adeus, adeus.