NASCE A ROSA, E NASCE A FLOR.

By Gregório de Matos Guerra

Para que nasceste, rosa,

se tão depressa acabaste,

nasces na manhã triunfante,

morres despojo de tarde.

Nasce a rosa, e nasce a flor

de tanta cor matizada,

quando se vê desmaiada

triste sem vida, e sem cor:

tudo quanto no candor

se ostentava majestosa,

então menos venturosa

perde toda a louçania,

e para brilhar um dia

Para que nasceste Rosa?

Se por nascer tão subida

perde a rosa a perfeição,

enquanto a rosa em botão

mais se lhe dilata a vida:

nessa pompa já perdida,

com que, rosa, te enfeitaste,

vendo o pouco que duraste,

da vida foste um nonada,

nem foste rosa, nem nada,

Se tão depressa acabaste.

Se na manhã encarnada

te julgas perfeita rosa,

olha o lustre de formosa

como o perdes desmaiada:

quem te viu na madrugada

entre as mais flores reinante,

que na tarde não se espante,

quando murcha assim te vê!

dize, rosa, para que

Nasces de manhã triunfante.

Se como rosa nasceste

com tão galhardo valor,

como rosa, e como flor

a pompa, e garbo perdeste:

se tanto te engrandeceste,

como te mostras cobarde,

pois quando fazendo alarde

de te ver tão majestosa,

por ver-te na manhã rosa,

Morres despojo de tarde.