Naufrágio

By Delminda Silveira de Sousa

— Vamos, o Coração disse-me um dia,

de flores é o mar das Esperanças,

solta-me, irei por essas águas mansas

à região dos Sonhos, da Poesia.

Soltei-o: e bem feliz o conduzia

sem cogitar de súbitas mudanças;

sem ter saudades, sem levar lembranças

de melhor tempo, nem doutra alegria.

— Vagar! Vagar! — as ondas murmuravam;

lindas alcíones pelo ar passavam;

E todo Céu de rosas se enflorou.

Mas, súbito, escurece... ruge a vaga...

E bem distante da risonha plaga

O meu barquinho frágil naufragou!