NIMBOS

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Nimbos de bronze que empanais escuros

O santuário azul da Natureza,

Quando vos vejo, negros palinuros

Da tempestade negra e da tristeza,

Abismados na bruma enegrecida,

Julgo ver nos reflexos de minh’alma

As mesmas nuvens deslizando em calma,

Os nimbos das procelas desta vida;

Mas quando o céu é límpido, sem bruma

Que a transparência tolde, sem nenhuma

Nuvem sequer; então, num mar de esp’rança,

Que o céu reflete, a vida é qual risonho

Batel, e a alma é a Flâmula do sonho,

Que o guia e o leva ao porto da bonança.