No aconchego da praia

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Como vivemos bem, ambos tranquilamente,

No aconchego da praia em curva! Que poesia!

Desde a aurora ao sol posto, o coração da gente

Estremece, palpita, em constante alegria!

Descalços, pés na areia, a tarrafa pendente

Dos nossos braços, eis-nos na pescaria...

E a tainha, na malha, é prata refulgente,

Com a qual temos nós a abastança do dia.

E à tarde, então? À tarde ainda a gente trabalha

Para ter, à merenda, uma linda toalha,

E nela um caldo fresco, à luz de suaves brilhos.

E quando a noite desce e perfumes derrama,

Rezamos a Jesus, ajoelhados na cama,

E abençoamos, sorrindo, o rol dos nossos filhos.