No álbum de uma menina
Nena, desperta, já desponta a aurora,
abre os teus olhos como a fresca rosa
qu’estende as níveas pétalas agora,
e vem comigo contemplar o Céu.
— O que vês tu, mimosa?
— Abrilhantado véu
de nuvens cor-de-rosa
por todo o Oriente,
e, no azul ridente,
linda estrela a brilhar!
— E o que vês tu na terra?
— A flor desabrochar!
E o aroma qu’ela encerra,
nos ares s’expandir,
e todo, além subir
da brisa ao respirar!
— E aonde vai-se o aroma?
— Ah! passa além da coma
frondente do arvoredo,
e vai, como um segredo,
té onde brilha a estrela
precursora do dia!
— Oh! sublime poesia!
— Imagens da inocência
é a flor, é a essência,
e est’alva de Agosto,
que formam n’harmonia,
o teu gentil composto!
Pois tu és a flor mimosa
que desabrocha louçã!
Tens a frescura da rosa,
Tens o sorrir da manhã!
Tens, no Céu do teu viver,
arrebóis d’encantos mil;
tens, no sonhar infantil,
a luz do dia ao nascer!
E quando dos lábios teus
s’eleva a prece singela,
tua oração sobe a Deus,
toda, toda inteira e bela,
— como sobe o doce aroma
que se eleva além da coma
frondente do arvoredo —
e vai pousar, qual segredo,
no seio da linda estrela!