No álbum de uma menina

By Delminda Silveira de Sousa

Nena, desperta, já desponta a aurora,

abre os teus olhos como a fresca rosa

qu’estende as níveas pétalas agora,

e vem comigo contemplar o Céu.

— O que vês tu, mimosa?

— Abrilhantado véu

de nuvens cor-de-rosa

por todo o Oriente,

e, no azul ridente,

linda estrela a brilhar!

— E o que vês tu na terra?

— A flor desabrochar!

E o aroma qu’ela encerra,

nos ares s’expandir,

e todo, além subir

da brisa ao respirar!

— E aonde vai-se o aroma?

— Ah! passa além da coma

frondente do arvoredo,

e vai, como um segredo,

té onde brilha a estrela

precursora do dia!

— Oh! sublime poesia!

— Imagens da inocência

é a flor, é a essência,

e est’alva de Agosto,

que formam n’harmonia,

o teu gentil composto!

Pois tu és a flor mimosa

que desabrocha louçã!

Tens a frescura da rosa,

Tens o sorrir da manhã!

Tens, no Céu do teu viver,

arrebóis d’encantos mil;

tens, no sonhar infantil,

a luz do dia ao nascer!

E quando dos lábios teus

s’eleva a prece singela,

tua oração sobe a Deus,

toda, toda inteira e bela,

— como sobe o doce aroma

que se eleva além da coma

frondente do arvoredo —

e vai pousar, qual segredo,

no seio da linda estrela!