NO ÁLBUM DUMA SENHORA

By Laurindo José da Silva Rabelo

Meu nome aqui deixara solitário

Escrito nessa cor;

Com que desde nascido as faixas d’alma

Tingiu-me o dissabor;

Meu nome aqui deixara solitário

Em traço negro incerto,

Qual friso do buril da desventura

Em claro plano aberto;

A não temer que alguém, que não soubesse

O que este nome diz,

Ao vê-lo neste livro me insultasse

Chamando-me feliz.

Saiba, pois, quem o ler, que de uma Virgem

No livro afortunado

Seu nome escuro, como seu destino,

Escreve um desgraçado!

Sobre ele verta a Virgem uma lágrima

Do seu pranto celeste,

Que talvez se desbotem os negrumes

Do luto que o reveste.

Sim, ó Virgem, do pranto de teus olhos,

Concede, sim, concede

Uma lágrima triste ao pobre nome

Que lágrimas só pede!

De teus olhos quisera uma centelha

Um peito do vulcão;

Ao contrário, porém, só pede pranto

Um morto coração!

O sol ilumina, a gala ofende

Ao solo mortuário:

Só sobressaem os cristais do pranto

Dos mortos no sudário.

Eia, pois, cair deixa neste nome

O teu pranto celeste;

Que talvez se desbotem os negrumes

Do luto que o reveste.