NO DECLÍNIO

By Gustavo de Paula Teixeira

Quando o tempo fugaz, que passa como o vento,

Te engrinaldar de neve e te engelhar o rosto,

Hás de volver o olhar, mais triste que um lamento,

Para o passado envolto em sombras de sol posto.

Como um lento viajor que do ápice nevoento

De alto monte contempla o caminho transposto,

Ficarás a cismar... E nesse atroz momento

Há de pungir-te o seio o acúleo de um desgosto!

Teu velho coração, desiludido e exausto,

Vendo o inútil fulgor das púrpuras do fausto,

Há de então palpitar numa aflição suprema!

E talvez com pesar, num círculo de abrolhos,

Tu te lembres de mim, numa saudade extrema,

Com suspiros na boca e lágrimas nos olhos!