NO DIA DOS ANOS DO CONDE DE VILA-VERDE, DEPOIS MARQUÊS DE ANGEJA, EM CUJA CASA O...

By Nicolau Tolentino de Almeida

Senhor, talvez neste dia

Já cantei versos polidos;

Porém em tetos caídos

Não moía o deus da poesia:

Voou; e da testa fria

Me tirou o verde louro,

E das mãos a lira de ouro;

Tudo enfim se foi co’a breca;

Mas se a Aganipe se seca,

Não se ha de secar o Douro.

Embora no velho caco

Murche o cansado miolo;

Se os louros lhe tira Apolo,

Com parras o adorna Baco

Põe mira meu peito fraco

Nos vossos puros almudes;

E em honra de mil virtudes,

De mil talentos diversos,

Em vez de fazer dois versos,

Farei duas mil saúdes.