NO DIA DOS ANOS DO CONDE DE VILA-VERDE, DEPOIS MARQUÊS DE ANGEJA, EM CUJA CASA O...
Senhor, talvez neste dia
Já cantei versos polidos;
Porém em tetos caídos
Não moía o deus da poesia:
Voou; e da testa fria
Me tirou o verde louro,
E das mãos a lira de ouro;
Tudo enfim se foi co’a breca;
Mas se a Aganipe se seca,
Não se ha de secar o Douro.
Embora no velho caco
Murche o cansado miolo;
Se os louros lhe tira Apolo,
Com parras o adorna Baco
Põe mira meu peito fraco
Nos vossos puros almudes;
E em honra de mil virtudes,
De mil talentos diversos,
Em vez de fazer dois versos,
Farei duas mil saúdes.