NO DIA DOS ANOS DO MARQUÊS DE ANGEJA II
Senhor, co’as minhas poesias
Festejava os anos teus;
Porém mandam já os meus,
Que eu venha co’as mãos vazias:
Geladas madeixas frias
Fecham do Parnaso o passo;
Pois que já o tempo escasso
Esfriar meus versos quis:
Quem me aceitou os que fiz,
Me agradeça os que não faço.
Mas é da tua grandeza,
E a tal dia ação adequada,
Inda que não trago nada,
Não perder a casa e a mesa:
Por culpas da natureza
Não perca os meus ordenados;
Cubram teus tetos dourados
Inútil, mudo jarreta:
Não o merece o poeta,
Mas é costume aos criados.