NO DIA DOS ANOS DO MARQUÊS DE ANGEJA II

By Nicolau Tolentino de Almeida

Senhor, co’as minhas poesias

Festejava os anos teus;

Porém mandam já os meus,

Que eu venha co’as mãos vazias:

Geladas madeixas frias

Fecham do Parnaso o passo;

Pois que já o tempo escasso

Esfriar meus versos quis:

Quem me aceitou os que fiz,

Me agradeça os que não faço.

Mas é da tua grandeza,

E a tal dia ação adequada,

Inda que não trago nada,

Não perder a casa e a mesa:

Por culpas da natureza

Não perca os meus ordenados;

Cubram teus tetos dourados

Inútil, mudo jarreta:

Não o merece o poeta,

Mas é costume aos criados.