NO DIA DOS ANOS DO PRINCIPAL DE ALMEIDA
Por mais que esse sangue honrado
Vos inspire os pundonores
De merecer os louvores
E não querer ser louvado,
Este dia é consagrado
A elogios soberanos:
Sem vir enfeitar enganos
Com mão venal e tingida,
Em contar a minha vida
Louvarei os vossos anos.
Teceram-me em baixo estado
A fortuna e a natureza:
Entre os braços da pobreza
Fui desde o berço lançado.
Pelas vossas mãos alçado
Quebrei da desgraça o fio:
Se da crua fome e frio
Livro o pai, livro os irmãos,
É obra das vossas mãos,
E faz o vosso elogio.