No escuro

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Vive no escuro, para sempre, eterno,

Profundamente, o ser a quem a descrença

Envolve em toda a sua nuvem densa,

De atormentante, pavoroso inverno.

Escuro deve ser, também, o inferno,

Todo cavado numa dor imensa.

Leito do tédio, da fatal doença!

Boda negra, sem gotas de falerno!

Escuro, escuro, para sempre escuro,

Há de o caminho ter quem, mais seguro

Ao pessimismo, do que a um baraço

Vai, deste mundo, pela longa estrada,

Com a própria cabeça acorrentada,

Jungida aos pés, e braço contra braço!