No horto

By Delminda Silveira de Sousa

Do virente Olival à sombra escura,

Jesus prostrou-se e, triste, ao Céu formoso

levando o meigo olhar, terno, ansioso,

com voz serena e branda assim murmura:

— “Fica minh’alma imersa na tristura,

até que a morte traga-me o repouso.

Meu Pai! Meu Pai! Oh! Deus tão Poderoso,

de mim passa esse cálix de amargura!

Mas... não! — que toda mágoa sofreria

teu filho, por cumprir tua Vontade

na terra, qual nos Céus a cumpriria!”

— E no ardor da divina Caridade,

sorve o fel que enche a taça d’agonia,

— mártir do Amor à ingrata humanidade!