No mistério das ânsias

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Deixa que o mar, de encontro aos rústicos rochedos,

Convulsamente ruja e, pelas praias, ruja,

Com toda a sua força hercúlea, nos enredos

De urna dor sobre a qual estremece a maruja.

Deixa que o mar, nos mais temíveis arremedos,

Busque galgar o céu maravilhoso, em cuja

Curva existe o fulgor dos astros, nos segredos

Do Divino Poder que as almas sobrepuja.

O mar que geme, o mar que brame e que soluce,

E, em blasfêmias, em pé se ponha ou se debruce;

Ou se alastre, a fremir, por todas as distâncias,

Deixando para trás a linha das montanhas...

É que esse mar possui as sensações estranhas

De um revel coração, no mistério das ânsias.