NO TRIBUNAL

By Sebastião Cícero dos Guimarães Passos

Ao tribunal comparece

Manoel Fera, malfeitor,

Cuja vida se conhece,

Negra e pejada de horror.

Ouve o libelo terrível,

Sem sequer pestanejar:

Logo depois, impassível,

Diz que deseja falar.

— Fale, diz o presidente.

“Eu declaro ao tribunal

Que confirmo plenamente

Toda a acusação formal.

Nada nego! não há meio:

Assaltei, matei, roubei!

Mas o meu crime mais feio

É outro que só eu sei...”

Diz um jurado em voz alta:

“Isto custa a acreditar!

Diga: qual foi essa falta?”

“Ter me deixado apanhar...”