No túmulo

By Delminda Silveira de Sousa

Diante deste túmulo, que encerra

Os despojos mortais de quem na terra

Um bom amigo foi, um justo, um crente,

Todos vós que tivestes seus desvelos,

O preito de gratidão, vinde, singelos,

Render-lhe aqui numa oração fervente!

Descansa, lutador! — tu, que na vida

Uma senda de espinhos mal florida

Apercorrer tiveste em dura sorte,

Rosas de luz celeste, peregrina,

Terás, decerto, na Mansão Divina,

Entre os eleitos, em bendita coorte!

Sim, — pois se a alma que sofreu serena

Com fé e resignação, vida penosa,

Há de, no Céu, gozar ventura plena

Uma c’roa imortal, esplendorosa,

Tu, ó excelso espírito formoso,

Entre os justos cingiste, glorioso

Lá do Eterno na Mansão ditosa!