No túmulo de uma criança

By Delminda Silveira de Sousa

Anjo que aos brancos lises da inocência

do martírio os espinhos enlaçaste

e a tenra, pura fronte engrinaldaste

aos albores primeiros da existência,

foste qual lírio de mimosa essência,

a doce primavera não lograste!

Ai! loura espiga que ao tufão vergaste

no começo da linda florescência!...

Sim; mas se o berço que cercavam flores,

delirante deixaste, d’improviso,

como se viras mais gentis primores,

foi porque o mundo, embora tenha riso,

prazer, delícias, mimos e dulçores,

— nunca pode valer um Paraíso!