No túmulo de uma criança
Anjo que aos brancos lises da inocência
do martírio os espinhos enlaçaste
e a tenra, pura fronte engrinaldaste
aos albores primeiros da existência,
foste qual lírio de mimosa essência,
a doce primavera não lograste!
Ai! loura espiga que ao tufão vergaste
no começo da linda florescência!...
Sim; mas se o berço que cercavam flores,
delirante deixaste, d’improviso,
como se viras mais gentis primores,
foi porque o mundo, embora tenha riso,
prazer, delícias, mimos e dulçores,
— nunca pode valer um Paraíso!