NO ÚLTIMO DIA DE FÉRIAS

By Nicolau Tolentino de Almeida

Pregou o eloquentíssimo Macedo

Em casta linguagem portuguesa;

Veio a fortuna ao lado da riqueza

Doirar-me a banca, que eu armei a medo;

Com modo afável, com semblante ledo

Dava alma a tudo a senhoril marquesa;

Assembleia por fim de tal grandeza,

Que acabando alta noite, acabou cedo:

Sentiu ferver meu cavernoso peito

Escumante licor, manjares finos,

Função a que não anda muito afeito:

No meio disto os meus cruéis destinos

Me lembram (por não ter gosto perfeito)

Que era o outro dia dia de meninos.