NO ÚLTIMO DIA DE FÉRIAS
Pregou o eloquentíssimo Macedo
Em casta linguagem portuguesa;
Veio a fortuna ao lado da riqueza
Doirar-me a banca, que eu armei a medo;
Com modo afável, com semblante ledo
Dava alma a tudo a senhoril marquesa;
Assembleia por fim de tal grandeza,
Que acabando alta noite, acabou cedo:
Sentiu ferver meu cavernoso peito
Escumante licor, manjares finos,
Função a que não anda muito afeito:
No meio disto os meus cruéis destinos
Me lembram (por não ter gosto perfeito)
Que era o outro dia dia de meninos.