NO VALE

By Gustavo de Paula Teixeira

Como isto é belo! Numa tremulina

De que queda em queda, o murmúrio riacho,

Que ergue de espuma um trêmulo penacho,

Beija a fímbria da saia da colina.

Farautas e anhos pascem na ravina;

Ressoa a avena de um zagal debaixo

De uma palmeira que debulha o cacho

E abre o feixe de palmas, que se inclina.

A graça errante de uma borboleta

Entre silvas marinha, inquieta, inquieta,

Sem se ferir na ponta dos espinhos.

As árvores são harpas harmoniosas...

Enquanto vão desabrochando as rosas,

Ouve-se a orquestra matinal dos ninhos!