NOITE DE INVERNO

By Gustavo de Paula Teixeira

Que frio!... E eu só!... Oh! noite de amargura!

Lá fora plange com angústia o vento

Desgrenhando o arvoredo, que murmura,

De mãos alçadas para o firmamento.

Meu leito é uma gelada sepultura,

O lençol — um sudário... Embalde tento

Dormir: o frio cresce e me tortura!...

A minh’alma tirita... Que tormento!

Ah! se ela, cheia de ternura e zelo,

De amor vencida, viesse neste instante

Envolver-me no manto do cabelo!...

Loucura minha! A um sonho em vão me aferro!

Não mais terei o seu perfume ebriante

Neste noturno cárcere de ferro!