Noites de luar

By Delminda Silveira de Sousa

Lá vem rompendo a lua, além, no serro escuro,

suavíssimo clarão, formosa, derramando;

recende de jasmins o ar sereno e puro,

um descante de amor nas águas vai passando.

À flor do lago azul, as brancas nenúfares

estendem docemente as pétalas gentis;

repousa o sabiá na coma dos palmares,

fulgura o lança-luz dos campos no tapiz.

Ao plácido luar, as ondas rumorosas

espalham frisos d’ouro em nítido cristal;

do doce murmurar das brisas carinhosas,

desperta a juriti nas moitas do rosal.

Quanto é risonho e belo o quadro esplendoroso

das noites de luar — enlevo dos amores!

— O Céu mandando à terra um beijo fulguroso,

— a terra ao Céu mandando o incenso de mil flores!

Oh! noites de luar mais belas do que o dia!

Suave azul do Céu, astros, flores, amor!

Feliz quem vos escuta a dúlcida harmonia!

Feliz de quem em vós adora um Criador!