Noiva e triste

By João da Cruz e Sousa

Rola da luz do céu, solta e desfralda

Sobre ti mesma o pavilhão das crenças,

Constele o teu olhar essas imensas

Vagas do amor que no teu peito escalda.

A primorosa e límpida grinalda

Há de enflorar-te as amplidões extensas

Do teu pesar — há de rasgar-te as densas

Sombras — o véu sobre a luzente espalda...

Inda não ri esse teu lábio rubro

Hoje — inda n’alma, nesse azul delubro

Não fulge o brilho que as paixões enastra;

Mas, amanhã, no sorridor noivado,

A vida triste por que tens passado,

De madressilvas e jasmins se alastra.