Num baile
Estavas toda de azul,
Tão majestosa e elegante
Que senti naquele instante
Me pulsar o coração!
Cheio d’afeto, de júbilo
Cheio de amor, de ternura
Num momento de ventura
Enlouqueci de paixão!
Então sentei-me ao teu lado
E contemplei teu semblante,
Tão belo, tão radiante,
Tão puro, casto e gentil!
Teus olhos eram luzentes,
A boca rubra e pequena,
A voz mui doce e serena
Qual d’ave em tarde de Abril!
Teu cabelo era aloirado
Tua cintura era breve
E na face mui leve,
Transparecia o rubor!
Teu todo era um conjunto
De encantadora beleza
Que senti minh’alma presa
Aos elos de santo amor!...
E a dança continuava
Com incessante delírio
Enquanto duro martírio
Ia minh’alma rasgar!
Num antro então d’incertezas
Entrou-me a frágil razão
E num mar de escuridão
A louca foi-se a boiar!...
Era por ti que eu sofria
A tempestade moral!
Para depois por meu mal
Suportar a ingratidão!
E sem saber se me amavas
Quis dizer-te o que sentia!...
Insensato! que não via?
Qu’estavas a lutar em vão!
Não via, pois abrasado
Por tão ardente afeição,
Fui presa — dessa atração
Que tinhas sempre no olhar!
E amei-te tanto... mas tanto...
Que quis dizer-te com ânsia
— Oh! virgem dá-me constância!...
Que hei de sempre te amar!
Assim, assim, te consagro
O mais eloquente amor!
Enquanto estalo — de dor
Tu vais folgando a sorrir!...
E se lembrares-te um dia
Do infeliz, desgraçado
Desculpa-o, que foi ousado...
Perdão te deve pedir!!...