Numa tarde hibernal
Cor de cimento, o mar! E o céu, cor de cimento!
Mar e céu, céu e mar se confundem na cor
De um túmulo fechado, onde houvesse um clamor
De almas a soluçar, de momento em momento.
E eu, que desejo vê-la, o meu soluço aumento;
E faz-se ave molhada, a minha própria dor,
Longe do manso olhar, do místico esplendor
Dos seus olhos que são todo o meu pensamento.
E o mar e o céu, assim, continuam fechados...
E a chuva torrencial não cessa, nos telhados,
De correr, de correr, lentas horas a fio.
E cai, continuamente, a chuva impiedosa,
Sem que uma vela surja, a balouçar-se, airosa,
Para me transportar quase morto de frio!