Numa torre

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Numa torre bem alta, assim, bem alta,

Perto da Estrela, e, como a Estrela, branca,

Que de clarões de prata o espaço esmalta,

As auroras sorrindo, doce e franca.

Numa tarde bem alta, assim, bem alta;

Maravilhosa luz que a treva espanca,

É onde mora o meu sonho, o que te exalta,

O que da treva mísera te arranca.

E contigo em meus braços; boca unida

A tua boca, em flor enfebrecida,

Nessa torre bem alta, os meus desejos

Têm, unidos aos teus, toda a alegria

Dos pombos quando, ao despertar do dia,

Arrulham nos telhados, entre beijos...