Numa torre
Numa torre bem alta, assim, bem alta,
Perto da Estrela, e, como a Estrela, branca,
Que de clarões de prata o espaço esmalta,
As auroras sorrindo, doce e franca.
Numa tarde bem alta, assim, bem alta;
Maravilhosa luz que a treva espanca,
É onde mora o meu sonho, o que te exalta,
O que da treva mísera te arranca.
E contigo em meus braços; boca unida
A tua boca, em flor enfebrecida,
Nessa torre bem alta, os meus desejos
Têm, unidos aos teus, toda a alegria
Dos pombos quando, ao despertar do dia,
Arrulham nos telhados, entre beijos...