Nunca sorriu!

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Nunca sorriu! Jamais na sua boca

Um sorriso, que é luz cantante, um dia

Alou, como a dourada e linda e louca

Borboleta, na rosa que inebria.

E a sua voz era sinistra e rouca

Como a da água descendo a penedia.

Pouca importância dava às outras, pouca,

Numa expressão de gélida ironia.

Nunca sorriu! Nunca sorriu! Jamais!

E também nunca teve aflitos ais,

Soluços, gritos de emoção veemente!

No entanto, agora, pelo cemitério,

Ei-la a sorrir, assim, no atro mistério

Da morte; e vai sorrindo eternamente!