Nuvem dourada

By Delminda Silveira de Sousa

Nuvem dourada que no Céu d’aurora,

brandamente deslizas,

é o arrufo das brisas

ou o sopro de Deus que t’evapora?

Serena espuma d’ouro que te amplias

como um véu de princesa

na luz do sol acesa,

lavras no azul mimosas fantasias.

Linda nuvem dourada, onde nascente,

cortina primorosa

do berço cor-de-rosa

de uma aurora gentil te desprendeste?

Por que desmaias, áurea nuvem bela,

ai! por que t’evaporas?

E choras, nuvem choras,

vertendo orvalhos sobre a flor singela!

Ai! nuvem d’ouro! — no meu céu de outrora

formoso, sorridente,

também passou, fulgente,

linda nuvem serena, encantadora!

Depois, na cor mimosa esmorecendo,

seu brilho esvaeceu,

e plúmbeo, triste véu

foi-se em gotas amargas desfazendo.

— Era a minha ilusão! nuvem mentida

lindo sonho dourando,

desfaz-se, rorejando

de lágrimas a flor da minha vida!...