O amor e a morte

By Juvêncio de Araújo Figueredo

O amor, um dia, ao se encontrar com a morte

Teve o momento de lhe perguntar:

— O que fazeis, em rumo sul e norte,

Por esses campos e por sobre o mar?

E a morte respondeu-lhe, ereta e forte:

— Ando os corpos dos homens a ceifar.

Com esta ceifadeira de atroz corte,

Que friamente ceifa, sem cessar...

— E o que fazeis, amor? Dizei-me, agora.

Vós que nascestes ao nascer da aurora

Que os tesouros dos sóis enriqueceram?

E o amor lhe disse, abrindo-lhe o regaço!

— Levo no sonho, para o azul do espaço.

As almas que por mim na dor viveram.