O ANEXIM OU RIDÃO
É filho da experiência,
Ou da verdade o anexim?!
Talvez seja uma ciência,
Porém eu não penso assim.
Se nele há boas sentenças,
Há discrepâncias também,
E como não são extensas,
Eu as confronto mui bem.
— Nem tudo que luz é ouro —,
A sua doutrina é tal
Sobre aparências de louro
E precioso metal.
— Pelo dedo se conhece
O gigante — Quem não vê
Contradição que aparece
No que leu e agora lê?!
— O hábito não jaz o monge,
Nos assevera o rifão,
— A carruagem de longe
Mostra que vem dentro!... — e então?!
Quem não verá claramente
Que o rifão se contradiz,
E de uma ou de outra vez mente
Na cousa oposta que diz?!
Mais um paralelo, e acabo,
Escutai, leitores meus:
— Voz do povo, voz do diabo;
Voz do povo, voz de Deus! —
Depois que assim tenho feito
Ligeiras confrontações,
Já não creio com efeito
De anexins nas citações.
É insinuante a mentira,
Ela em tudo se introduz;
Nem do anexim se retira,
E ao erro aí nos induz.