O anjo da guarda

By Delminda Silveira de Sousa

Noite d’inverno, límpida e formosa,

lá fora, o frio, o orvalho congelado,

noturno vento a suspirar magoado,

na solidão, endecha dolorosa.

Do pobre na mansarda silenciosa,

dorme, no berço, o filho desnudado;

o luar, pelas fendas do telhado,

beija-lhe a face pálida, mimosa.

Cai o gélido sopro da desoras...

o pobrezinho, nestas mortas horas,

geme aos açoites d’hibernal rigor.

Mas o beijo que as lágrimas sorveu

nos seus lábios gelados, quem lho deu?...

— O anjo da guarda, — o maternal amor!.