O anjo da redenção

By João da Cruz e Sousa

Soberbo, branco, etereamente puro,

Na mão de neve um grande facho aceso,

Nas nevroses astrais dos sóis surpreso,

Das trevas deslumbrando o caos escuro.

Portas de bronze e pedra, o horrendo muro

Da masmorra mortal onde estás preso

Desce, penetra o Arcanjo branco, ileso

Do ódio bifronte, torso, torvo e duro.

Maravilhas nos olhos e prodígios

Nos olhos, chega dos azuis litígios

Desce à tua caverna de bandido.

E sereno, agitando o estranho facho,

Põe-te aos pés e a cabeça, de alto a baixo,

Auréolas imortais de Redimido!