O ARANHOL

By Gustavo de Paula Teixeira

Entre bromélias, junto à quérula torrente

Que do plaino em que habito um longo trato banha,

Num contínuo labor, uma operosa aranha

Fia o rico enxoval de noiva, sutilmente.

O tecido brumal, que nunca se emaranha,

É feito de um só fio, um tênue fio albente,

Que vai, de volta em volta, ininterruptamente,

Tramando o brocatel de contextura estranha...

Quando o sol se levanta enviando olhares d’oiro

E a aranha, distendendo a fibra, no tesoiro

Da renda leve embala as ilusões radiosas,

Na teia, que filtrando orvalho, oscila e pende,

A luz, que se refrange em cada gota, acende

Uma aurora boreal de pedras preciosas!