O bêbado

By Juvêncio de Araújo Figueredo

De pernas bambas, trêmulas, iguais

Aos vimes, quando o zéfiro o sacode,

Lá vai o pobre bêbado, que aos ais

Busca fugir, nas raias do pagode.

Pensa transfigurar em madrigais

Todo o tormento que à sua alma acode;

E, por isso bebeu... bebeu... Demais,

Que tem que o corpo seu nas ruas rode?

Ê que o vinho lhe dá (Que fantasia!)

As noites da alma uns claros de alegria;

Tira-lhe a alma dos fatais escolhos...

Como se engana o bêbado, coitado!

Continua o seu corpo torturado,

E a alma ainda chora-lhe nos olhos!