O BORDADO

By Gustavo de Paula Teixeira

No alpendre, onde palpita a colgadura

Das níveas trepadeiras trescalando,

Dentro de um sonho cheio de doçura,

Ela passa os crepúsculos bordando.

A sua mão, de gemas rorejada,

No azul da tela, rápida, passeia,

Como uma borboleta albirosada

Por sobre o tule de aracnídea teia.

Há dias, ela, carinhosa e grata,

Ofertou-me, corando como as rosas,

Um régio mimo: — um céu de seda e prata

Estrelado de pérolas custosas.

Gentileza de lírio! Como eu amo

Aquela Flor, que, evaporando olores,

Me ofereceu no meio do recamo

O coração bordado a sete cores!