O CAÇADOR

By Delminda Silveira de Sousa

“— Não mates, não, a rósea colheteira

do velho tronco na raiz pousada,

ela tem coração, talvez, amada,

viva no encanto da ilusão primeira.

Do carcomido tronco, alvissareira,

é ela a flor gentil, abençoada;

ele vergou aos golpes da lestada,

ela ameiga-lhe a hora derradeira.

Oh! não a mates, não!... Pensa que é crime

assim ferir um coração qu’exprime

tanto amor, tal meiguice e piedade!...”

Desvia o tiro o caçador, pensando,

Qu’ele também de amor vive sonhando

Numa doce ilusão de felicidade.