O CAÇADOR
“— Não mates, não, a rósea colheteira
do velho tronco na raiz pousada,
ela tem coração, talvez, amada,
viva no encanto da ilusão primeira.
Do carcomido tronco, alvissareira,
é ela a flor gentil, abençoada;
ele vergou aos golpes da lestada,
ela ameiga-lhe a hora derradeira.
Oh! não a mates, não!... Pensa que é crime
assim ferir um coração qu’exprime
tanto amor, tal meiguice e piedade!...”
Desvia o tiro o caçador, pensando,
Qu’ele também de amor vive sonhando
Numa doce ilusão de felicidade.