O CEGO DE AMOR

By Laurindo José da Silva Rabelo

Pensam que vejo, não vejo,

Não vejo, que cego estou;

De que me servem os olhos,

Se minha luz se apagou?

Ah! não deixes que me perca

Nesta imensa escuridão;

Ó anjo que me cegaste,

Vem ao menos dar-me a mão.

Ao avistar-te nos olhos

A luz divina senti,

E por perder-te de vista,

A minha vista perdi.

Ah! não deixes que me perca

Nesta imensa escuridão;

Ó anjo que me cegaste,

Vem ao menos dar-me a mão.

Se eu cair, dá-me teus braços,

Dá-me pelo amor de Deus,

Que talvez recobre a vista

Caindo nos braços teus.

Ah! não deixes que me perca

Nesta imensa escuridão;

Ó anjo que me cegaste,

Vem ao menos dar-me a mão.