O cego do

By João da Cruz e Sousa

Esse cego do me atormenta

E atormentando me seduz, fascina.

A minh’alma para ele vai sedenta

Por falar com a sua alma peregrina.

O seu cantar nostálgico adormenta

Como um luar de mórbida neblina.

O geme certa queixa lenta,

Certa esquisita e lânguida surdina.

Os seus olhos parecem dois desejos

Mortos em flor, dois luminosos beijos

Fanados, apagados, esquecidos...

Ah! eu não sei o sentimento vário

Que prende-me a esse cego solitário,

De olhos aflitos como vãos gemidos!