O CHARUTISTA

By José Joaquim Correia de Almeida

Até à vista

De gente limpa

O charutista

Vai, e se chimpa.

É na presença

De gente honesta

Pior doença,

Causa molesta.

O homem polido,

Por mais que faça,

Vê-se aturdido

Pela fumaça.

Inquieto e triste

Escarra e tosse,

Porém persiste

O outro na posse.

E só pergunta

A toda a roda

Que aí está junta,

Se os incomoda?

“Ora essa é boa!

Eis a resposta,

Sua pessoa

Não nos desgosta!”

E o malcriado

Não avalia

Que é tolerado

Por cortesia.

Ele asqueroso

Mau cheiro exala,

E exclui o gozo

De qualquer sala.

A quem ele ama

Produz enjoo,

Da pobre dama

Eu me condoo.

Por gosto impuro

Queima fedores,

E, vil monturo,

Requesta amores.

A moça linda

Amar não pode

A um tal que ainda

Torce o bigode,

Sem recordar-se

De que na coma

Sabe aninhar-se

O ruim aroma.

Se a uma bela

Carícias pede,

Merece dela

Quem tanto fede?

Ela não sofre

Este basbaque

Sem muito enxofre

Ou Labarraque.