O COVEIRO

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Uma tarde de abril suave e pura

Visitava eu somente ao derradeiro

Lar; tinha ido ver a sepultura

De um ente caro, amigo verdadeiro.

Lá encontrei um pálido coveiro

Com a cabeça para o chão pendida;

Eu senti a minh’alma entristecida

E interroguei-o: “Eterno companheiro

Da morte, quem matou-te o coração?”

Ele apontou para uma cruz no chão,

Ali jazia o seu amor primeiro!

Depois, tomando a enxada, gravemente,

Balbuciou, sorrindo tristemente:

— “Ai! foi por isso que me fiz coveiro!”