O CRUEL DISFARCE
Sem murmurar padecerei calado
Cumprindo o teu preceito violento:
Faltava a envenenar o meu tormento
Dever ser por mim mesmo disfarçado.
De trazer o semblante sossegado
Farei o inculpável fingimento:
Nos olhos mostrarei contentamento,
Tendo um punhal no coração cravado.
Este peito onde nunca engano viste,
Que não sabe a vil arte de afetar-se,
Onde a verdade e a intacta fé existe,
Mártir do amor e do infiel disfarce,
Nas tuas adoráveis mãos desiste
Té dos tristes direitos de queixar-se!