O CRUEL DISFARCE

By Nicolau Tolentino de Almeida

Sem murmurar padecerei calado

Cumprindo o teu preceito violento:

Faltava a envenenar o meu tormento

Dever ser por mim mesmo disfarçado.

De trazer o semblante sossegado

Farei o inculpável fingimento:

Nos olhos mostrarei contentamento,

Tendo um punhal no coração cravado.

Este peito onde nunca engano viste,

Que não sabe a vil arte de afetar-se,

Onde a verdade e a intacta fé existe,

Mártir do amor e do infiel disfarce,

Nas tuas adoráveis mãos desiste

Té dos tristes direitos de queixar-se!