O DESALENTO

By Laurindo José da Silva Rabelo

Quando eu morrer, minha morte

Não lamentes, caro amigo,

Que o sepulcro é um jazigo

Onde eu devo descansar;

A minha triste existência

É tão pesada, é tão dura,

Que a pedra da sepultura

Já me não pode pesar.

Uma lágrima, um suspiro,

Eis quanto custa o morrer;

Custa-nos sempre o viver

Prantos, suspiros, sem fim!

Que tormento fora a vida,

Se não fosse transitória!?...

Não me risques da memória,

Porém não chores por mim.

Enchem trevas o sepulcro,

Mas ninguém delas se queixa;

Quando o morto os olhos fecha,

Não quer luz, quer sossegar;

Aquele fundo silêncio,

Aquele extremo abandono,

Dão-lhe tão profundo sono,

Que nem pode despertar.

Já tive medo da morte,

Agora tenho da vida;

Sinto minha alma abatida,

Sem vigor o coração;

Já cansado de viver,

Para a morte os olhos lanço;

Vejo nela o meu descanso,

A minha consolação.