O ÉPICO DO — FIAT

By Laurindo José da Silva Rabelo

Zela em extremo a palma aos seus diletos;

Que o viço lhe desbotem não consente;

Quando eles descuidados não a velam,

Ante seus olhos amortalha o mundo,

E na dor os obriga,

Com lágrimas de sangue, a dar-lhe orvalho.

O anjo d’Harmonia no teu seio

Jazia encarcerado,

Deixando a furto apenas

Ouvir em curto canto as notas mágicas

Da sua voz divina,

Por não haver um templo

Onde pudesse desferir seus vôos;

Abriu-se o templo d’Arte!...

Eia, Sacerdotisa, o altar te toca!

Norma de Norma, chega!

Já a língua de Euterpe é língua tua!

Lua e sol d’Harmonia ao mesmo tempo,

É tua voz Proteu do sentimento

Nas notas que desliza!

O Estro de Bellini nas doçuras

Da língua portuguesa mais se adoça,

Só lhe falta a doçura do teu canto.

Norma de Norma, chega!

Já a língua de Euterpe é língua tua!