O ESCRAVO ENFERMO

By José Joaquim Correia de Almeida

Ao relento, à chuva, ao frio,

Ao rigor do sol ardente,

Incessante trabalhava

Um escravo diligente.

Cultivando a terra dura,

E regando-a com suor,

Facilitou muito lucro,

Deu muito ganho ao Senhor.

Estragou-se-lhe a saúde,

Apareceu a morfeia,

Priva-o de ser prestimoso

A enfermidade mais feia.

E o senhor de consciência,

Reconhece a iniquidade,

Que pratica contra o escravo

Tolhendo-lhe a liberdade.

Sem hesitar ao cativo

Passa carta de alforria,

Não consente que demore

Em seu poder um só dia.

Siga o caminho do mundo,

Leve a moléstia consigo,

Em liberdade exercite

A profissão de mendigo.

Enquanto o fio da vida

Não se quebra, não se corta,

O miserando liberto

Pede o pão de porta em porta.