O ESCRAVO JUSTIÇADO

By José Joaquim Correia de Almeida

Se o homem foi feito à imagem

E semelhança de Deus,

É por certo, a liberdade

Um dos privilégios seus.

Destruir esse direito

É transgressão evidente

Da lei de Deus, que reformas

Não tolera, nem consente.

Entretanto no Brasil

Preceito humano que voga

As ordenações Divinas

Expressamente deroga.

Ímpio senhor desumano

Com mortífero azorrague

Do miserando cativo

Dilacere o corpo e o chague,

Qual tigre bravio e fero

Beba-lhe o sangue de um sorvo;

No cadáver saboreie-se,

Como faz o imundo corvo;

Que se o escravo — coitado!

Defendendo seu direito,

Reage contra o verdugo,

E lhe fere o infame peito,

Sem maior formalidade

Uma forca se improvisa,

Onde segundo carrasco

A cerviz do escravo pisa.

E assim, conforme o código,

É circunstância agravante

O que a lei natural chama

Circunstância atenuante.