O gaturamo

By Delminda Silveira de Sousa

Nas matas da minha terra.

Canta alegre o gaturamo,

Voando de ramo em ramo,

Pousando de serra em serra.

Gorjeia o canto mimoso,

Quando o sol nascendo vem;

Gorjeia à tarde também,

Mais terno, mais carinhoso.

Nas matas da minha terra,

Em cada manhã dourada,

Com a mesma doce toada,

Revoa de serra em serra.

Um pequeno sertanejo

Que não conhece a escola,

Arma-lhe um dia a gaiola,

Com traiçoeiro manejo.

E o gaturamo inocente,

Pousando nas finas varas,

Nessa prisão de taquaras

Vai cair incontinenti.

Depois, quando o sol fagueiro,

Desponta cheio de encanto,

Oh! como é tristonho o canto

Do pobre prisioneiro!