O LEQUE
Quis fazer um presente delicado
À Flor cuja saudade me lancina,
Como compete a um jovem namorado
Que adora uma romântica menina.
E dei, com uma frase carinhosa,
Um leque de varetas de marfim,
Nem estojo de seda cor de rosa
Que trescalava a sândalo e benjoim.
No mimo cravejado de diamantes
— Asa sutil de plumas rosicleres, —
Estava escrito em letras rutilantes:
— “Guarda-o com zelo enquanto me quiseres.”
Anos após, quando transpus a porta
Do seu discreto ninho do verão,
Entre flores, de branco, achei-a morta,
Com o leque aberto sobre o coração!