O MARINHEIRO

By Delminda Silveira de Sousa

Como é triste o marinheiro

Lutando com o bravo mar,

Sofrendo porque não pode

O seu navio salvar!

Vendo o mar forte e medonho

Ao ribombar do trovão,

Roga a Deus misericórdia,

Pede aos Céus a salvação.

Ouvindo o bramir das vagas

Ao mais horrível tufão,

No convés, o forte herói

Faz a Deus esta oração:

“Lá em terra, meus filhinhos

Pedem a minha proteção;

De joelhos vos imploro

Dai-me, ó Deus, a salvação!

Minha mãe, pobre velhinha

Que no seu leito agoniza

E sem ter nenhum carinho...

De seu filho ela precisa...

Se eu morrer, triste viúva

Lutar há de em negra sorte...

Oh! Senhor! Senhor! Livrai-me

De tão triste e dura morte!...”

Quando, alfim, a meiga aurora

Começou, linda a raiar,

Um cadáver, sobre as águas,

Veio à branca praia dar.

Era do pobre marujo

O corpo desfigurado,

Que o mar sonhando trazia

Da esposa ao seio enlutado.

Pobre mãe! Pobres filhinhos,

Pobre esposa entristecida!

Perdestes o forte arrimo,

Doce amor da vossa vida!

Quando, à noite, meiga lua

O mar sereno pratear,

Ou quando negra procela

De crepe as águas velar,

Sobre a praia que o sepulta,

Ide, saudosos, chorar!